Stranger Things: Tales from ‘85 — Por que o novo desenho só funciona entre as temporadas 2 e 3?
Thiago Silva
Publicado em: 20/04/2026 às 21:36,
Imagem: Stranger Things: Tales from ‘85 / Netflix
A Stranger Things continua expandindo seu universo — e agora aposta na animação com Tales from ‘85, nova série da Netflix que chega em breve à plataforma. Mas diferente de um spin-off qualquer, essa produção escolheu um ponto muito específico na linha do tempo: o intervalo entre a 2ª e a 3ª temporada. E isso não foi por acaso.
O momento perfeito na cronologia
Para entender essa escolha, é preciso revisitar rapidamente os eventos da 2ª temporada. É aqui que conhecemos Max Mayfield, personagem que rapidamente se torna essencial para a dinâmica do grupo. Ao lado de Lucas Sinclair, Dustin Henderson, Mike Wheeler e Will Byers, ela adiciona humor, atitude e um novo tipo de energia à história.
Além disso, Eleven retorna oficialmente ao grupo após passar boa parte da temporada escondida com Jim Hopper. No final, todos estão reunidos e aparentemente seguros — um raro momento de estabilidade em Hawkins.
Esse equilíbrio cria o cenário ideal para histórias paralelas: todos os personagens principais estão presentes, vivos, juntos e em harmonia.
Por que não antes?
Se a animação fosse ambientada após a 1ª temporada, haveria dois problemas gigantes:
- Eleven ainda é considerada morta pelo grupo
- Max simplesmente não existe na história
Ou seja, faltariam peças fundamentais para o carisma e a dinâmica que definem a série.
Por que não depois?
Já após a 3ª temporada, o universo começa a se fragmentar:
- Hopper “morre” (ou desaparece)
- Joyce se muda com Will, Eleven e Jonathan
- O grupo se separa fisicamente
Isso quebraria completamente a proposta de aventuras em grupo — algo essencial para o espírito de Stranger Things.
E piora ainda mais após a 4ª temporada:
- Max entra em coma
- Eleven volta a se esconder
- O clima da série se torna muito mais sombrio
Ou seja, menos personagens disponíveis e menos espaço para histórias leves e divertidas.
A importância da “fase criança”
Talvez o fator mais importante seja o tom. Entre as temporadas 2 e 3, os personagens ainda são crianças vivendo aventuras — e isso é o coração da série.
Com o passar do tempo (e especialmente após o hiato entre as temporadas), os personagens amadurecem, e a série assume um tom mais pesado e dramático. Embora isso traga profundidade, também reduz aquele senso de diversão e descoberta que conquistou o público inicialmente.
Um spin-off que precisa ser divertido
A grande aposta de Tales from ‘85 é capturar exatamente essa essência: amizade, aventura e leveza, com um toque de mistério sobrenatural. A ambientação escolhida permite isso sem comprometer a continuidade da história principal.
Ainda existe certa dúvida sobre a qualidade da animação — afinal, nem todo spin-off acerta o tom. Mas uma coisa é certa: escolher esse período foi uma decisão estratégica inteligente.
Se a série conseguir equilibrar nostalgia, humor e suspense como nas primeiras temporadas, tem tudo para conquistar tanto fãs antigos quanto novos espectadores.