O Fim de uma Era: Vimeo demite em massa para focar em IA
Thiago Silva
Publicado em: 23/01/2026 às 22:11,
Logo da Vimeo
Se você é da época em que o Vimeo era o refúgio sagrado dos cineastas, onde a compressão de vídeo não destruía a arte e a seção de comentários não era um campo de guerra, prepare o lenço. A plataforma que já foi o "padrão ouro" da qualidade audiovisual acaba de passar por uma reestruturação que deixou a comunidade em choque.
Nesta semana, a Bending Spoons (a nova proprietária italiana que comprou a empresa em novembro de 2025 por US$ 1,38 bilhão) passou o facão. E não foi um corte pequeno: relatos de ex-funcionários indicam que a maioria do quadro foi demitida, incluindo toda a equipe de engenharia e produção audiovisual.
De Reduto de Cineastas a "Skin Suit" de IA
A justificativa? O foco agora é total em Inteligência Artificial. A ideia é transformar o Vimeo em uma ferramenta automatizada de resumos e traduções de vídeo.
A reação de quem construiu a plataforma foi visceral. Derek Buitenhuis, ex-colaborador, não poupou palavras no X (antigo Twitter):
"É péssimo ver algo que eu construí ser morto por uma empresa de Private Equity usando uma fantasia de empresa de tecnologia."
O Histórico do Declínio
Para quem chegou agora, o Vimeo nasceu em 2004 (sim, um ano antes do YouTube!). Enquanto o Google apostava no conteúdo de massa, o Vimeo virou o porto seguro para diretores e criadores de portfólio. Mas o caminho começou a entortar faz tempo:
2022: Fim do suporte para Smart TVs e limites polêmicos de banda.
Setembro/2025: Corte de 10% da força de trabalho.
Novembro/2025: Venda para a Bending Spoons (conhecida por comprar marcas como Evernote e WeTransfer e aplicar reformas drásticas).
O que esperar agora?
Se você é usuário premium ou tem seu portfólio por lá, o clima é de incerteza. Com a saída dos engenheiros que conheciam cada linha de código da plataforma, a estabilidade do serviço entra em xeque.
A Bending Spoons quer transformar o acervo histórico em uma mina de ouro para processamento de IA, mas a pergunta que fica é: ainda existirá espaço para a curadoria artística que definiu o Vimeo por décadas?