Trump admite ligação à FIFA para rever cartão vermelho e gera polêmica na Copa do Mundo

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Thiago Silva

Publicado em: 07/07/2026 às 22:11,

atualizado há 2 meses
Presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante o sorteio da Copa do Mundo de2026 Imagem: Evelyn Hockstein

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante o sorteio da Copa do Mundo de2026 Imagem: Evelyn Hockstein

A Copa do Mundo voltou a ser palco de uma grande controvérsia, desta vez envolvendo política, arbitragem e os bastidores da FIFA. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que entrou em contato com Gianni Infantino, presidente da FIFA, para pedir uma revisão da expulsão do atacante Folarin Balogun, decisão que rapidamente repercutiu entre torcedores, dirigentes e seleções rivais.

Além da revelação sobre o telefonema, Trump também levantou suspeitas, sem apresentar provas, sobre a atuação do árbitro brasileiro Raphael Claus, aumentando ainda mais a tensão em torno do torneio.

Trump confirma pedido à FIFA

Durante entrevista nesta segunda-feira (6), Trump admitiu que procurou Infantino após a expulsão de Balogun na partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina.

Segundo o presidente americano, sua intenção era apenas solicitar uma revisão da decisão, alegando que a expulsão foi injusta.

"Tudo o que fiz foi pedir uma revisão, porque não achei que fosse falta."

Trump afirmou ainda que seria injusto impedir um dos principais jogadores da seleção norte-americana de disputar um confronto decisivo da Copa do Mundo.

FIFA confirma contato, mas nega interferência

Gianni Infantino confirmou que recebeu o telefonema do presidente dos Estados Unidos, mas garantiu que a conversa não influenciou qualquer decisão disciplinar.

O dirigente explicou que lembrou Trump de que apenas os órgãos competentes da FIFA podem analisar casos de cartões e suspensões.

Segundo Infantino, ele respeita integralmente a independência do Comitê Disciplinar da entidade, mesmo quando discorda de algumas decisões.

A expulsão de Balogun

A polêmica começou durante o duelo entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina.

Aos 18 minutos do segundo tempo, o árbitro brasileiro Raphael Claus revisou um lance no VAR e aplicou cartão vermelho direto para Balogun após um pisão sobre o defensor Nihad Muharemović.

Posteriormente, a punição acabou sendo suspensa, permitindo que o atacante ficasse disponível para a partida das oitavas de final.

Foi justamente essa mudança que gerou questionamentos sobre o processo adotado pela FIFA.

Trump chama Raphael Claus de "suspeito"

Além de defender Balogun, Trump direcionou críticas ao árbitro brasileiro.

Sem apresentar evidências, o presidente afirmou que Claus seria "um pouco suspeito" e insinuou que haveria informações sobre seu histórico.

Apesar das declarações, Trump não detalhou quais fatos sustentariam a acusação, nem apresentou qualquer prova que justificasse suas suspeitas.

As falas rapidamente repercutiram nas redes sociais e entre veículos internacionais, colocando novamente a arbitragem no centro das discussões da Copa.

Bélgica promete contestar decisão

A principal reação oficial veio da Federação Belga de Futebol.

Como adversária dos Estados Unidos nas oitavas de final, a entidade informou que pretende questionar a elegibilidade de Balogun.

Segundo a federação, o Código Disciplinar da FIFA prevê suspensão automática após um cartão vermelho, e a decisão de liberar o atacante merece esclarecimentos.

Além da Bélgica, representantes da UEFA e da União Europeia também manifestaram críticas ao episódio e pediram maior transparência no processo.

Pochettino defende o atacante

Do lado americano, o técnico Mauricio Pochettino comemorou a liberação do jogador.

Para o treinador argentino, os Estados Unidos já haviam sido suficientemente prejudicados ao disputar boa parte da partida anterior com um atleta a menos.

Pochettino afirmou acreditar que praticamente todos os observadores consideraram o cartão vermelho uma decisão equivocada.

Política entra em campo

A proximidade entre Donald Trump e Gianni Infantino já era conhecida antes mesmo da Copa do Mundo, mas a confirmação do telefonema reforçou o debate sobre os limites entre relações institucionais e a independência das decisões esportivas.

Embora a FIFA negue qualquer tipo de influência externa, o caso alimenta discussões sobre transparência, arbitragem e governança no maior torneio de futebol do planeta.

Com os Estados Unidos ainda vivos na competição, o episódio promete continuar repercutindo dentro e fora dos gramados.